Fungo agressivo chega à América do Sul e ameaça bananas

  • 08/09/2019
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Fungo agressivo chega à América do Sul e ameaça bananas

Se algum dia você já teve o prazer de experimentar uma banana-maçã tradicional deve estar sentindo falta dela nas prateleiras. Não é apenas impressão. É que esta variedade de banana, de sabor adocicado, pequeno porte, textura macia e aveludada, tem sido cada vez mais rara nos mercados.


Ao longo das últimas duas décadas, a versão mais antiga da fruta vem sendo dizimada por um fungo. Chamado de fusarium, ele é o responsável por provocar a Murcha da Bananeira, também conhecida como Mal do Panamá. A doença fez desaparecer todas as plantações comerciais da banana-maçã no Brasil.

A doença é provocada pela raça 1 do fusarium. Desde que foi identificado pela primeira vez, no fim do século XIX, na Oceania, ele já destruiu plantações de banana-maçã em várias partes do mundo. Quase 150 anos depois de identificado, os cientistas ainda tentam encontrar uma solução definitiva para combater o fungo, já que não existe opção de controle químico.
DE LESTE A OESTE

A primeira versão do fusarium foi identificada pela primeira vez na Austrália em 1876. Depois, já entre as décadas de 1900 e 1960, ele provocou a devastação das bananeiras entre a Costa Rica e o Panamá. Nesta região da América Central, o fungo causou a destruição de mais de 40 mil hectares da fruta, e a doença ganhou o apelido de Mal do Panamá.
No Brasil, o fungo foi identificado pela primeira em 1930 e obrigou os exportadores de banana a trocarem as variedades tradicionais por outras mais resistentes. Foi nesta época que as bananas do tipo maçã, pertencentes ao grupo Gros Michel, mais vulnerável ao fungo, começaram a perder espaço no mercado e passaram a ser substituídas no campo pelas bananas do grupo Cavendish, como a nanica, nanicão e a banana d´água.

A A entidade reúne cerca de 955 produtores rurais no Projeto Formoso. Atualmente, dos 9 mil hectares de banana cultivados na região, cerca de 20% são de banana-nanica, e 80% de banana- prata.
mudança ocorreu em todo o país. Na região de Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, que reúne alguns dos maiores produtores do Brasil, não foi diferente.
A DOENÇA

As plantações de banana se espalham por mais de 500 mil hectares no Brasil. O fusarium 1 já está presente em todas as regiões produtoras.

O fungo atua no solo e se espalha pela área cultivada. Primeiro, ele se instala nas raízes da bananeira. Depois, sobe pelo pseudocaule através dos feixes, e assim ocupa os veios da planta, entope o sistema vascular central da planta e impede a circulação de água e nutrientes.

“O fungo coloniza o rizoma da bananeira e impede a chegada de nutrientes. Sem alimentação, as folhas mais velhas começam a ficar amareladas, das bordas até as nervuras, e depois as outras folhas começam a murchar. É o que chamamos de efeito guarda-chuva fechado. Em seguida a planta para de produzir frutos e morre”, explica Haddad.

Os cientistas fazem questão de afirmar que o fungo não causa mal nenhum ao ser humano, e as frutas podem ser consumidas normalmente.

“O fungo só prejudica a bananeira e a produção. Ele não infecta os frutos e não causa nenhum problema à saúde das pessoas. Não é necessário parar de consumir banana”, completa o cientista.

Apesar do alerta dos cientistas, em alguns lugares por onde passou, o fungo chegou a provocar dúvidas no consumidor. Recentemente, na Colômbia, para provar que o fungo não faz mal à saúde e combater o pânico, o presidente do país se viu obrigado a ocupar a rede nacional de comunicação e comer ao vivo o fruto, dispersando assim qualquer informação equivocada sobre a atuação do fusarium na saúde do consumidor.

A SUBSTITUTA

Enquanto os produtores rurais substituíam a banana-maçã por outras mais resistentes ao fusarium, os pesquisadores passaram a buscar soluções na ciência. A ideia era salvar a espécie, ou criar uma fruta com sabor e aroma parecidos.

Foi desta forma que os pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura, com sede em Cruz das Almas, no recôncavo baiano, desenvolveram uma variedade mais resistente ao fungo, a banana BRS Princesa. Ela é parecida com a banana-maçã original, mas com sabor ligeiramente menos adocicado e um pouco menos aveludada e comprida. Além de ser resistente à murcha do fusarium, a princesa enfrenta bem os causadores de outras doenças comuns nos bananais, como a sigatoka amarela e negra, que também vêm provocando danos graves nas plantações brasileiras.
BRS princesa tem sabor e aroma parecidos com o da banana maçã. Variedade é cultivada em várias partes do Brasil. (Foto: Ivisson Costa / Embrapa)
“A BRS Princesa começa a ocupar o seu nicho de mercado no segmento de bananas do tipo maçã, que praticamente não se consegue produzir mais e estão fadadas à extinção por sua alta susceptibilidade ao fungo causador da murcha de fusarium,” conta o pesquisador Edson Perito Amorim, coordenador do programa de melhoramento genético da Embrapa.

Outra vantagem da nova variedade é que ela é mais tolerante ao frio, exige menos água e vem sendo considerada mais vantajosa e lucrativa por ser capaz de gerar até 40 toneladas de frutas por hectare. A princesa já vem sendo cultivada há cerca de seis anos por agricultores do baixo sul da Bahia, nos municípios de Tancredo Neves e Teolândia.

Nos mercados, muitos feirantes chegam a chamar a princesa de “falsa maçã”, mas, definitivamente, é ela que tem atendido os consumidores que gostam da fruta.

“Uma pessoa menos atenta nem percebe a diferença. Muita gente ainda chega aqui e pergunta se tem aquela banana pequeninha, mais gordinha e macia. Mas, o consumidor acaba levando esta princesa mesmo. A diferença é pequena”, afirma Antônio dos Santos, vendedor na Feira de São Joaquim, em Salvador.

Outra linha de pesquisa desenvolvida pelos cientistas da Embrapa envolve o melhoramento genético da própria banana-maçã original. Um dos experimentos mais curiosos está sendo realizado na sede da Embrapa em Cruz das Almas.
 

Em busca de variedades de banana-maçã resistentes ao fusarium, cientistas mantêm experimentos até em caixas d´água (Foto: Georgina Maynart)
Para ter certeza que o solo não estava contaminado, os cientistas esterilizaram várias toneladas de terra e colocaram todo o material em caixas d´água, iguais às usadas nas residências. Depois plantaram, dentro dos tanques, mudas de banana-maçã original. O objetivo é estimular o desenvolvimento de exemplares mais resistentes e verificar dispositivos que possam combater os fusarium. O estudo já dura mais de dez anos e não tem prazo para ser concluído.
NOVA AMEAÇA: FUSARIUM 4
Agora, uma outra versão do fungo, o TR4 tropical, conhecido também como raça 4 do fusarium, ameaça provocar mais estragos nos bananais da América Latina. Além de ser perigoso para as variedades de banana já atingidas pela raça 1, ele também é um risco para as plantações da banana-prata e do grupo Cavendish, como a nanica, que representam hoje mais de 90% das bananas plantadas no Brasil.
Depois de percorrer várias partes do mundo, o fungo 4 está cada vez mais perto do Brasil. No primeiro semestre de 2019, autoridades colombianas anunciaram a presença do fungo em uma fazenda do norte do país.
“Esta raça 4 do fungo ataca bananas do tipo Cavendish e é mais agressiva e virulenta para todas as variedades suscetíveis ao fungo. A grande preocupação é que o mesmo problema que tivemos no passado com a banana-maçã ocorra também com as Cavendish no presente momento. Torcemos que esta enfermidade fique restrita à Colômbia e estamos em contato direto com os técnicos de lá para ajudar nesta contenção. Além disso, já estamos explorando estudos em variedades selvagens que se mostraram resistentes a este fungo. Acreditamos que não existe possibilidade de desabastecimento do mercado”, explica o pesquisador da Embrapa.
O TR4 é mais agressivo do que o fusarium raça 1. Fungo chegou a América do Sul este ano ( Foto: Miguel Dita / Embrapa)
O TR4 foi detectado pela primeira vez em 1990 na Indonésia e na Malásia. Depois chegou à China em 1996, e um ano depois, em 1997, na Austrália. De lá para cá não parou de avançar. Provocou estragos nas plantações de Taiwan, Filipinas, Jordânia, Moçambique, Paquistão, Líbano, Vietnã, Laos, Israel e Mianmar. Até que este ano chegou finalmente à América do Sul.

Com a ameaça já presente na Colômbia, o governo brasileiro está intensificando o Plano de Contingenciamento contra o Fusarium.

As autoridades federais devem lançar nos próximos dias um alerta fitossanitário para evitar a entrada desta nova raça do fungo no Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura, o alerta vai orientar os fiscais sobre a adoção de medidas contra a disseminação, como o controle das fronteiras e o transporte de mudas de outros países onde o fungo já está presente.

“Como o solo contaminado ajuda a disseminar a doença, é importante que viajantes dessas regiões limpem o que fica de terra nos sapatos e lavem as roupas antes de embarcar de volta ao Brasil”, afirma Ricardo Kobal, chefe do departamento de Divisão, Prevenção, Vigilância e Controle de Pragas do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura.

Na Bahia, o segundo maior produtor do Brasil, depois de São Paulo, os fiscais da Agência de Defesa Agropecuária (ADAB) já estão intensificando o programa de vigilância ativa. O programa prevê vistorias constantes nas plantações comerciais do estado, coleta de amostras, e levantamento fitossanitário específico para detecção de pragas da banana. Nos próximos quinze dias, o órgão também vai lançar um plano de prevenção.

“São várias ações para dificultar a entrada do fungo. É preciso tomar muito cuidado, principalmente com as mudas trazidas de fora do país, não só de banana, mas também de flores como a helicônia, que é hospedeira. A preocupação é muito grande. Temos colhido amostras nas principais regiões produtoras, como Bom Jesus da Lapa, no oeste, e Teolândia, no baixo sul, para garantir a sanidade das plantações”, afirma Danúzia Maria Vieira Ferreira, coordenadora do Projeto Fitossanitário da Banana da ADAB.

Nos países onde já foi identificado, o TR4 vem gerando grande perdas. Em Taiwan, a geração 4 do fungo provocou a diminuição drástica da produção anual da fruta, de 60 mil caixas para 6 mil. Na China, o fungo já se espalhou por mais de 155 mil hectares e provocou a queda das exportações.

“A maior arma ainda é não deixar a praga entrar no território, até porque se ela se instalar a estratégia de controle vai ser muito difícil”, completa Danúzia

Bananeira afetada pelo fusarium para de receber nutrientes e fica com as folhas secas, deixando de produzir frutos (Foto: Miguel Dita / Embrapa)

Murcha do fusarium deixa o sistema vascular da bananeira cheio de manchas e impede a circulação dos nutrientes. (Foto: Léa Cunha / Embrapa)
Os efeitos econômicos das pragas podem ser gigantescos. O Brasil é o quarto produtor mundial de banana, atrás apenas da Índia, China e Indonésia. Dos pomares brasileiros saem quase 7 milhões de toneladas da fruta por ano.
E mesmo sem a presença de vilões letais, como o fusarium 4, os produtores brasileiros já enfrentam vários problemas.
“A bananicultura tem enfrentado uma crise nos últimos anos. O gasto com energia subiu muito e os preços de venda não acompanharam os custos de produção. Por isso muitos agricultores estão diversificando as lavouras, cultivando por exemplo tangerina e limão. Nós esperamos que as autoridades evitem a entrada deste novo fungo, senão vai ser um impacto muito grande no setor”, afirma o agricultor Ervínio Kogler.
Os consumidores também torcem para que o controle das doenças seja eficiente. Outras doenças, como a sigakota negra, e as intempéries climáticas, como os períodos de estiagem ou de excesso de chuva, também têm provocado oscilações na produção e aumentos consecutivos de preços nas grandes cidades.
Na Bahia, problemas como estes fizeram o preço subir do ano passado para cá. Apesar de uma leve queda de 7,89% no último mês, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou que nos últimos 12 meses o preço médio da banana ficou 37,86% maior na capital baiana. A elevação do preço no varejo teria sido influenciada, principalmente, pela baixa oferta da banana nanica e o elevado volume da fruta direcionado para exportação. O Brasil exporta banana para 43 países, principalmente Uruguai, Argentina, Holanda e Espanha.
Ainda de acordo com o Dieese, a dúzia da banana-prata está custando em média R$ 3,86 em Salvador. A Bahia produz cerca de 820 mil toneladas de banana por ano.

Equipes da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia estão intensificando as vistorias nas plantações de banana (Foto: ascom ADAB)
ROTEIRO DO TR4 TROPICAL NO MUNDO (Fusarium raça 4):
* 1990 – Indonésia e Malásia
* 1996 - China
* 1997 – Austrália
* 2003 – Taiwan
* 2008 – Filipinas
* 2012 – Jordânia
* 2013 – Moçambique
* 2014 – Paquistão e Líbano
* 2017 – Vietnã e Laos
* 2018 - Israel e Mianmar
* 2019 – Colômbia

FONTE CORREIO DA BAHIA 

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